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Usinas de etanol estão deixando seus rendimentos evaporarem – literalmente – e isso pode ser evitado

O volume de etanol produzido anualmente pelo Brasil é de 28 bilhões de litros. Destes, quase 280 milhões de litros podem ser perdidos via evaporação e eliminados para o meio ambiente caso o armazenamento não seja feito de maneira adequada.

[dropcap]E[/dropcap]xigência da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em tanques de etanol desde 2009, os selos ou tetos flutuantes são a principal recomendação para garantir a segurança ambiental durante a tancagem. O objetivo é simples: proporcionar um armazenamento seguro e eficiente de produtos voláteis com perda mínima de vapor para o meio ambiente.

“Essa exigência é feita por ocasião do licenciamento ambiental de bases e outros locais onde sejam instalados tanques para armazenamento e distribuição de combustível líquido recebido por meio de caminhões, vagões tanques e/ou dutos provenientes das refinarias, usinas e/ou terminais marítimos”, detalha a Cetesb.

Não é à toa que São Paulo tenha sido a primeira unidade federativa a aderir à norma. O estado é o maior produtor nacional do biocombustível e, em maio, concentrava a maior parte do volume armazenado, respondendo por 1,9 bilhão de litros.

Evaporação que pesa no bolso

Além do impacto ambiental, o rombo financeiro causado pela evaporação também é grande. Como a taxa de evaporação de etanol pode chegar a 1%, as perdas nacionais podem alcançar 280 milhões de litros de etanol por ano, considerando uma produção total de 28 bilhões de litros, como a registrada pelo Ministério da Agricultura na safra 2017/18.

Levando ainda em conta o valor de comercialização do litro de etanol como sendo de R$ 1,90, é possível estimar um prejuízo anual aproximado de R$ 532 milhões apenas devido à evaporação. Esse valor pode ser drasticamente reduzido com a utilização dos selos ou películas flutuantes nos tanques, de acordo com o diretor-presidente da Romão Tecnologias, Oscar Romão.

Segundo ele, a partir da metodologia validada através do software Tanks, desenvolvido pelo Instituto Americano de Petróleo, o volume de perdas por evaporação em um ano pode chegar a 109 m³ em um tanque de 35 metros de diâmetro e altura de 10 metros. Para esse exemplo, o volume é de 9.621 m³ e foram considerados dois turnovers por ano, com um percentual de evaporação de aproximadamente 0,57% a cada turnover.

Com a utilização de selo ou película flutuante, esse número pode ser reduzido em até 98%, gerando uma economia superior a R$ 200 mil em um ano.

“Com durabilidade de mais de uma década, um selo pode ter um retorno financeiro inferior a dois anos, resultando em um investimento altamente rentável”, complementa Oscar Romão.

Armazenamento na prática

De acordo com o coordenador de engenharia e manutenção dos terminais da Copersucar, Renato Cesar Scandinari, a partir do momento em que sai da usina onde é produzido até chegar ao consumidor final, o etanol pode passar meses armazenado, dependendo do período de colheita.

Segundo Scandinari, desde o carregamento já é possível tomar algumas medidas para diminuir a evaporação do etanol, utilizando uma unidade de recuperação de vapor. “Ao retirar o combustível dos tanques e carregar o caminhão rumo à distribuidora, também há emissão de gases. Por meio da unidade de recuperação, 100% desses gases são coletados e transformados em líquido novamente, garantindo a segurança do processo”.

Por meio de transporte rodoviário ou dutoviário, o etanol parte das usinas para os centros de distribuição, espalhados por todo o Brasil, de onde é enviado para os postos de combustível. No entanto, de acordo com ele, o padrão é que a maior parte do tempo o combustível seja mantido nos armazéns de tancagem – exatamente o local onde a evaporação pode ser maior.

No caso da própria Copersucar, a empresa possui um terminal de armazenamento de etanol na cidade de Paulínia (SP) com 10 tanques de tamanhos diferentes – são quatro tanques de 5 mil m³, outros quatro de 20 mil m³ e mais dois de 40 mil m³ de capacidade, totalizando 180 mil m³ de etanol armazenado.

Desde a inauguração do terminal, em 2014, todos os tanques são equipados com selos flutuantes – fabricados pela Romão Tecnologias – por exigência da própria Cetesb e também da legislação municipal, que demanda a aplicação dessa proteção. Com a medida, a empresa consegue evitar 1.800 m³ de evaporação a cada carga dos tanques, todos os anos.

Daí a necessidade de lançar mão de recursos como os selos, uma vez que todo este volume seria lançado na atmosfera. “No caso de Paulínia, por exemplo, a cidade concentra um grande número de bases de distribuição, além da maior refinaria do país – a Replan –, o que faz dela uma região saturada, com grande quantidade de emissões de poluentes. Precisamos utilizar alguns equipamentos que ajudem mitigar esses gases”, comenta Scandinari.

 

A recomendação pelos selos flutuantes

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e o Instituto Americano de Petróleo (API, na sigla em inglês) colocam como obrigatoriedade para o armazenamento de compostos orgânicos voláteis – como o etanol – o uso de dispositivos de segurança para proteção contra os excessos de pressão positiva e negativa (vácuo) e contra a deflagração (fogo) no interior dos tanques.

Usualmente são utilizados dispositivos conhecidos como válvula de alívio de pressão e vácuo com corta chamas, porém, eles fazem somente a proteção estrutural dos tanques. Os selos, por sua vez, vão além desta proteção e também reduzem a perda por evaporação a limites considerados desprezíveis.

Olhar atento para a segurança

No entanto, para que isso aconteça, é fundamental que esses equipamentos sigam uma série de recomendações de segurança. “O selo é constituído de vedações periféricas conformáveis que se moldam a eventuais deformações dos tanques, além de permitir a passagem de colunas e quaisquer interferências nele existentes. Neste componente, deve-se ter uma atenção especial, pois muitas empresas fornecem suas periferias em desconformidade ao seu propósito fundamental e inquestionável: vedação”, detalha Romão.

Segundo o engenheiro, é possível encontrar à venda selos irregulares, desenvolvidos em placas descontínuas e não vedadas na periferia. “[Nesses casos] todo o vapor gerado é acumulado de forma perigosa no interior do tanque, uma vez que passa a ser um processo contínuo de evaporação sem saturação, que além de perder produto, gera perigosas concentrações de hidrocarbonetos que podem superar o limite mínimo de explosividade”.

Ele ainda comenta: “Como qualquer vazamento pode desencadear um acidente de grandes proporções, a segurança é um fator fundamental no armazenamento de etanol e, portanto, o selo ou película deve garantir estanqueidade não só pela parte central (película), como pela sua periferia”.

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