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Iniciativas de Economia Circular na Indústria do Aço

As indústrias em geral costumam extrair matéria-prima de fontes naturais, utilizando-a na fabricação de um determinado produto, que por sua vez é enviado ao consumidor final e, então, é descartado de forma inapropriada em sua maioria, contribuindo para a geração e despejo de lixo tóxico no ambiente. Nesse sentido, a economia circular visa reduzir os efeitos negativos que essa economia linear causa, além de gerar oportunidades econômicas e de negócios, e promover vantagens sociais e ambientais (ELLEN MACARTHUR FOUNDATION, 2017).

A indústria siderúrgica é responsável por fornecer insumos para produtos de diferentes indústrias (como automotiva, naval, de bens de capital, entre outras) e para a construção civil. É formada por grandes empresas, as quais costumam ser verticalizadas, que operam as diversas fases produtivas, como a transformação do minério em ferro primário, assim como a produção de tubos de aço. No cenário brasileiro, esse setor atende a maior parte do mercado doméstico, produzindo uma ampla gama de produtos de aços planos e longos (CARVALHO; MESQUITA; ARAÚJO, 2015).

Sabe-se que o aço é o material mais facilmente reciclável. A sua sucata pode ser reciclada infinitas vezes sem que suas propriedades sejam significativamente alteradas, porém a qualidade final do material recuperado dependerá da separação dos componentes das ligas e dos elementos contaminantes destas (MEDINA, 2007). Ademais, a água usada nos seus processos de produção é devolvida quase inteiramente. Segundo o Relatório de Sustentabilidade do Instituto Aço Brasil (2018), houve recirculação de 96% de toda a água doce necessária ao processo produtivo das empresas associadas ao Instituto em 2017 (cerca de 11 empresas na época).

Apesar disso, é possível perceber que existem alguns gaps na sua gestão de resíduos que precisam ser alinhadas aos objetivos da economia circular. O descarte indevido pela indústria do aço tem contribuído para a concentração de óxidos de carbono (CO e CO2) na atmosfera terrestre. O CO2 é o poluente mais emitido por essa indústria e, visto que este é um material permanente na biosfera e um dos maiores responsáveis pelo efeito estufa (GOMES, 2016), é muito importante que seu descarte seja consciente e em prol do meio ambiente.

Felizmente, as indústrias siderúrgicas, tanto no Brasil quanto no mundo, tem feito imensos esforços para limitar a poluição ambiental nas últimas décadas e alguns dados podem confirmar isso. Segundo a Associação Latino – Americana do Aço (Alacero), o aço é o material mais reciclado do planeta na atualidade, em que 2 de cada 3 toneladas do material são produzidos de forma reciclada. As estatísticas da associação mostram que o aço reciclado está em 85% da construção, 85% dos carros, 90% de maquinaria e 50% dos eletrodomésticos (ASOCIACIÓN LATINOAMERICANA DEL ACERO, 2019).

Diante desse contexto, vale citar importantes iniciativas atualmente envolvendo o setor siderúrgico e a economia circular, tanto na esfera global quanto no contexto brasileiro.

 

Exemplos de iniciativas Globais:

 

1. PACTO POR UNA ECONOMÍA CIRCULAR: EL COMPROMISO DE LOS AGENTES ECONÓMICOS Y SOCIALES 2018-2020:

Na Espanha, os Ministérios da Agricultura e Pescas, Alimentação e Ambiente e o Ministério da Economia, Indústria e Competitividade promoveram, em setembro de 2017, o Pacto pela Economia Circular, um projeto com o objetivo de envolver os principais agentes econômicos e sociais da Espanha numa transição para uma economia circular. Algumas de suas ações previstas são: promover a conscientização nos cidadãos sobre a importância da economia circular, estimular a redução do uso de recursos naturais não renováveis, prevenir a geração de resíduos, estimulando a reutilização do mesmo, promover o consumo sustentável, através de produtos e serviços sustentáveis, uso de serviços digitais, entre outros (GOBIERNO DE ESPAÑA, 2019). No mesmo ano em que o pacto foi realizado, constatou-se que praticamente 100% das indústrias produtoras de aço da nação já se encontravam sob os princípios do mesmo (RESIDUOS PROFESIONAL, 2017).

 

2. ERA-MIN 2 (ERA-NET Cofund on Raw Materials):

O ERA-MIN 2 é um consórcio que apoia financeiramente projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, que sejam desenvolvidos em conjuntos por empresas, nos segmentos de matérias-primas metálicas, de construção e minerais industriais. O foco desses temas está voltado para o suprimento, produção, consumo, reutilização e reciclagem de matérias-primas de forma sustentável em uma economia circular.

É apoiado pelo Horizonte 2020 da Comissão Europeia e coordenado pela FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia (Portugal). É formado por 21 organizações públicas de 11 países Estados-Membros (Alemanha, Eslovénia, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Polónia, Portugal, Roménia e Suécia), duas regiões Estados-Membros (Flandres-Bélgica e Castilha e Leão-Espanha), um País Associado (Turquia) e quatro países terceiros (África do Sul, Argentina, Brasil e Chile). O programa iniciou-se em dezembro de 2016 e tem duração de 5 anos. Além disso, foi baseado no projeto europeu ERA-MIN (2011-2015) e visa estimular a competitividade e a mudança do cenário industrial para uma economia circular.

O projeto funciona através de um co-financiamento, na qual cada agência apoia a empresa/ instituição de seu respectivo país, de acordo com seus próprios instrumentos de apoio. No Brasil, a agência apoiadora é a Finep (ERA-MIN, 2019).

 

3. WORLD STEEL ASSOCIATION:

A World Steel Association é uma associação civil sem fins lucrativos com sede em Bruxelas, na Bélgica, que promove o desenvolvimento sustentável na Indústria do Aço por meio da articulação junto aos governos e a sociedade civil, além de divulgar os conceitos e práticas mais atuais do tema (WORLD STEEL ASSOCIATON, 2018). A World Steel representa produtores de aço, associações nacionais e regionais e institutos de pesquisa do aço.

Em seu site (https://circulareconomy.worldsteel.org/) é possível encontrar bastante informação sobre o aço em relação à economia circular, medidas que estão sendo praticadas, curiosidades e fatos. A figura 1 representa um esquema elaborado por eles, o qual mostra como o aço e seus componentes podem ser reciclados, reutilizados e remanufaturados.

 


Figura 1. Esquema da reciclagem, reutilização e remanufatura do aço.
Fonte: https://circulareconomy.worldsteel.org/

Pode-se destacar da imagem que o material pode ser reciclado em carros, embalagens, prédios e pontes; que trilhos ferroviários, vigas de aço e portas de carros podem ser reutilizados para seu propósito original ou similar; que a matéria-prima e a energia necessárias no processo de produção do aço podem ser reduzidas e que motores, turbinas eólicas ou móveis de escritório podem ser remanufaturados.

 

Exemplos de iniciativas em empresas brasileiras:

Na esfera nacional, algumas iniciativas têm sido tomadas para a contribuição da sustentabilidade e da economia circular. Segundo o Instituto Aço Brasil, a prioridade das empresas brasileiras neste ramo, é produzir mais aço com menos insumos e matérias-primas e o setor se impôs o desafio de ir além das exigências da legislação de proteção ambiental, desenvolvendo tecnologia limpas através de parcerias com universidades, instituições de pesquisas e afins. A instituição ainda afirma que as medidas de reciclagem do aço, recirculação das águas e conservação de energia aumentaram a eco-eficiência no setor (INSTITUTO AÇO BRASIL, 2019a), ou seja, as indústrias conseguem produzir mais e melhor, com menos recursos e menos resíduos. A seguir, são listadas algumas empresas brasileiras associadas a essa instituição e suas iniciativas em prol da economia circular:

1.TERNIUM

A empresa, sediada em Santa cruz, no Rio de Janeiro, realiza controle das emissões da coqueria (que são livres de benzeno e emitem 90% menos gases comparados a outras siderúrgicas), possui filtros e sistemas de controle de emissão em todos os seus equipamentos, um monitoramento contínuo da qualidade do ar da região e uma recirculação de 96% da água utilizada em sua produção, em que coletam e tratam todo o esgoto industrial gerado para que não seja despejados rejeitos em rios e na Baía de Sepetiba, contribuindo assim para a prática de ciclo reverso.

Além disso, a empresa possui uma excelente autossuficiência energética. Através de uma termelétrica que usa os gases e vapores provenientes do processo siderúrgico, ela gera toda a energia necessária para as suas operações. Dessa forma, a empresa consegue produzir energia limpa, ser independente quanto ao fornecimento de energia externa e ainda repassar a energia excedente gerada ao Sistema Interligado Nacional (SIN), atendendo algo próximo a 1 milhão de residências (TERNIUM S.A., 2019).

 

2.GERDAU

A empresa, que tem sede em Porto Alegre, é a maior recicladora da América Latina. Segundo suas estatísticas, em torno de 75% do aço produzido pela empresa no mundo tem origem da reciclagem de sucata ferrosa. Cerca de 84% dos coprodutos gerados em sua produção de aço são reaproveitados pela própria empresa ou por segmentos distintos da economia. Os materiais são utilizados para construção de estradas, pavimentação, produção de ferro-liga, fabricação de cimento e cerâmicas, entre outros.

Ademais, a Gerdau atinge uma recirculação de 97,7% da água utilizada em suas usinas, um dos melhores índices da indústria do aço em nível mundial. A empresa ainda lançou em 2018 o Programa Bioenergia Social, que constitui na distribuição gratuita de coletores de óleo para escolas e estabelecimentos em diversas cidades de Minas Gerais, tornando esses locais pontos de coleta de óleo. Com o intuito de não gerar resíduos, para cada litro de óleo usado, será gerado um litro de combustível (GERDAU, 2018).

Um exemplo do que tem sido feito na empresa pode ser observado na Figura 2, destacando-se o impressionante número de 12 milhões de toneladas de sucata reciclada pela empresa no mundo.

 


Figura 2. Exemplo das ações da Gerdau em relação à sustentabilidade.
Fonte: https://www2.gerdau.com.br/sobre-nos/responsabilidade-ambiental 

3. USIMINAS

A empresa, que é sediada em Belo Horizonte, em Minas Gerais, possui um projeto chamado Xerimbabo, que é realizado em Ipatinga e na região mineradora de Serra Azul, ambas em Minas Gerais, o qual tem o objetivo de promover a conscientização ambiental a crianças e jovens da região. Segundo o Relatório de Sustentabilidade (2017), disponibilizado pela empresa em seu site, o índice de recirculação de água doce em suas duas plantas siderúrgicas foi de 96%. Além disso, a empresa também cumpre as exigências ambientais ROHS e ELV, relacionadas à proteção da água, do ar e do solo (INSTITUTO AÇO BRASIL, 2019b).

 

Conclusão

Pode-se perceber que há uma certa movimentação e comprometimento por parte das siderúrgicas no Brasil e no mundo, para uma produção sustentável do aço. Iniciativas como o Pacto pela Economia Circular, ERA-MIN e a associação World Steel, fomentam e difundem esse conceito de economia que ainda é muito novo e, portanto, pouco posto em prática pela maior parte dos setores industriais. O Brasil tem se destacado por possuir empresas siderúrgicas com excelentes índices sustentáveis em relação à recirculação das águas. Entretanto, ações sustentáveis devem ser impulsionadas cada vez mais, estimulando que as empresas busquem melhores índices e resultados no âmbito da economia circular, principalmente em relação à redução da emissão de gases nocivos, o qual é um dos maiores problemas enfrentados por esse setor.

 

Referências

ASOCIACIÓN LATINOAMERICANA DEL ACERO (ALACERO). Medio ambiente. Disponível em: <https://www.alacero.org/es/page/el-acero/medio-ambiente>. Acesso em: 31 mar.2019

CARVALHO, P. S. L.; MESQUITA, P. P. D.; ARAÚJO, E. D. G. Sustentabilidade da siderurgia brasileira: eficiência energética, emissões e competitividade. BNDES Setorial, v. 41, p. 181-236, 2015.

ELLEN MACARTHUR FOUNDATION, 2017. Economia circular. Disponível em: <https://www.ellenmacarthurfoundation.org/pt/economia-circular-1/conceito>. Acesso em: 26 mai.2019

ERA-MIN 2. Raw materials for the sustainable development and the circular economy. Disponível em: <https://www.era-min.eu/>. Acesso em: 27 mai.2019

GERDAU, 2018. Sustentabilidade ambiental. Disponível em: <https://www2.gerdau.com.br/sobre-nos/responsabilidade-ambiental>. Acesso em: 1 mai.2019

GOBIERNO DE ESPAÑA, Ministerio para la transición ecológica. Pacto por uma Economía Circular. Disponível em: <https://www.miteco.gob.es/es/calidad-y-evaluacion-ambiental/temas/economia-circular/pacto/>. Acesso em: 27 mai.2019

GOMES, R.S. Análise dos impactos ambientais e da sustentabilidade em usinas siderúrgicas integradas a coque. 2016. 52 f. Projeto de Graduação – Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016.

INSTITUTO AÇO BRASIL, 2018. Relatório de Sustentabilidade 2018. Disponível em: <http://www.acobrasil.org.br/sustentabilidade/>.

INSTITUTO AÇO BRASIL, 2019a. Iniciativas das Associadas. Disponível em: <http://www.acobrasil.org.br/site2015/iniciativas.asp>. Acesso em: 26 mai..2019

INSTITUTO AÇO BRASIL, 2019b. Disponível em: <http://www.acobrasil.org.br/site2015/usiminas_iniciativa.asp>. Acesso em: 27 mai.2019

La industria española del acero al completo se une al pacto por la economia circular. Residuos Profesional, 27 nov. 2017. Disponível em: <https://www.residuosprofesional.com/industria-acero-pacto-economia-circular/>. Acesso em: 14 abr.2019

MEDINA, H.V. Reciclagem de materiais: tendências tecnológicas de um novo setor. In.: CENTRO DE TECNOLOGIA MINERAL (CETEM). Tendências tecnológicas Brasil 2015. Rio de Janeiro, 2007. 371f.

TERNIUM S.A., 2019. Meio ambiente. Disponível em: <http://br.ternium.com/pb/quem-somos/meio-ambiente/>. Acesso em: 31 mar.2019

WORLD STEEL ASSOCIATON, 2018. Steel – the permanent material in the circular economy. Disponível em: <https://circulareconomy.worldsteel.org/>. Acesso em: 1 mai.2019

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